IDOSOS PAGAM FRETE E VIAJAM QUASE 100KM PARA SACAR APOSENTADORIA NO PI

O aposentado Enock Caetano Lira, 89 anos, e a esposa dona Antônia Maria da Conceição, 80 anos, percorrem há três meses quase 100 km para receber suas aposentadorias, desde dezembro do ano passado, depois que criminosos explodiram, pela quarta vez, caixas eletrônicos da única agência bancária da cidade de Castelo do Piauí, no Norte do estado. Por conta do crime, o local está fechado.

Eles residem em Juazeiro do Piauí e, após o crime, chegaram a receber seu pagamento na agência dos Correios em Castelo que fica localizada a 30 km de sua residência. Entretanto, nos últimos dois meses desistiram de enfrentar as filas do local e percorrem mais de 90 km para serem atendidos em Campo Maior, para conseguirem receber seu benefício.

“Na minha cidade não tem banco e recebo meu pagamento em Castelo, mas nos últimos meses, estou indo para Campo Maior. Além do desconforto por ter que viajar para um local mais longe, eu ainda gasto R$ 80 do pouco dinheiro que recebo porque preciso pagar um carro para fazer a viagem”, lamentou Enock Caetano.

A filha do aposentado, Maria Lira, sempre acompanha o pai e reza para que a agência do Banco do Brasil volte a funcionar. “Ele fica muito cansado quando vai para Campo Maior, pois é muito distante. Peço que os políticos vejam a situação destes idosos que chegam a dormir na porta dos Correios ou gastam para receber o pouco dinheiro da aposentadoria”, afirmou.

Após a explosão dos caixas, dormir em filas e esperar durante horas por atendimento bancário é a realidade vivida pela população da cidade de Castelo do Piauí. A agência do Banco do Brasil é responsável pelo pagamento da folha dos servidores públicos e de quase 10 mil aposentados de quatro cidades da região, mas desde as ações criminosas encontra-se fechada. O banco disponibilizou um funcionário para informar os clientes e realizar serviços como troca de senha, mas movimentações com dinheiro em espécie estão canceladas.

A agência suspendeu os serviços de depósitos, saques e pagamentos por um período indeterminado e sem estes serviços, muitos clientes recorrem à agência dos Correios e casas lotéricas em busca de atendimento. Os dois estabelecimentos não possuem capacidade para atender a demanda e diariamente registram longas filas. 

Há registro de pessoas dormindo na porta dos Correios com objetivo de pegar uma senha de atendimento. No entanto, chegar cedo não é garantia de conseguir ser atendido no mesmo dia e muitas pessoas, depois que recebem a senha, esperam até quatro dias para sanar sua demanda.

“Na semana passada eu tive que dormir nos Correios para receber a aposentadoria do meu pai. Cheguei numa segunda-feira para receber uma senha de atendimento para a quarta-feira. Agora, vou voltar a viver o mesmo sofrimento para receber o benefício da minha mãe. O pagamento está previsto para terça-feira (21) e já estou me programando para dormir aqui no domingo(19). É um tormento passar a noite neste local”, lamentou Deusilene Soares.

Quando a agência dos Correios abre, uma parte das pessoas consegue entrar, enquanto a maioria fica do lado de fora. Porém, ter acesso às dependências nem sempre é sinônimo de ser atendido, já que em muitos casos não há dinheiro para fazer um simples saque de R$100.

“Chega uma hora que o dinheiro acaba e temos que esperar juntar uma certa quantia para que os saques sejam liberados. Vim retirar R$ 300, pois preciso viajar para Teresina onde tenho uma consulta marcada, mas mesmo após enfrentar filas estou saindo sem nada porque o dinheiro acabou. Tenho que esperar juntar. Para não perder tempo, vou em casa e volto mais tarde para verificar se já posso retirar dinheiro. A vida em Castelo está muito difícil sem banco”, revelou a autônoma Lucia Leite.



Prejuízos no comércio

A economia de Castelo do Piauí é movimentada pelos pagamentos dos servidores públicos e aposentados. Com a migração do dinheiro para a cidade de Campo Maior, há prejuízos no comércio e na arrecadação de impostos.

Xavier Francisco, 65 anos, é dono de um supermercado na cidade e trabalha como comerciante há 43 anos. Ele diz nunca ter visto o movimento tão fraco como nos três últimos meses.

“A economia da cidade depende do dinheiro dos aposentados e do pagamento de benefícios do governo federal que são feitos no Banco do Brasil, mas estes clientes estão recebendo seus pagamentos em Campo Maior e por lá fazem suas compras. O movimento caiu muito. Hoje é dia de feira e nos meses anteriores, o comércio ficava lotado. Agora, se conta os clientes que atendo”, lamentou o empresário.

A empresária Armi Soares também reclama da situação. Com semblante de preocupação, ela diz não estar conseguindo honrar com suas dívidas. “Se meu cliente não me paga, eu não consigo pagar meu fornecedor. A economia de Castelo está parada. Estou amarada e sem perspectiva de futuro porque se comenta que agência do Banco do Brasil não funcionará mais”, afirmou.

Gestão municipal busca solução


O secretário municipal de Finanças de Castelo do Piauí, Marcos Aurélio, revelou ao G1 que a gestão municipal busca alternativas para que o Banco do Brasil volte a ofertar seus serviços aos clientes e assim colabore com a economia da cidade.

Marcos Aurélio afirmou que o prefeito, José Magno Soares da Silva (PT), ofertou, em conversas com representantes do Banco do Brasil, um prédio onde funcionava uma agência do Banco do Estado do Piauí (BEP).

“Lá tem estrutura de banco e o BB poderia funcionar no local enquanto sua reforma era finalizada. Outra alternativa é transferir os atendimentos para um prédio do Banco do Nordeste, que foi recentemente construído e não vai abrir, de acordo com determinação do banco. Eles desistiram de abrir agências no interior de algumas cidades. As propostas foram feitas e agora restar saber se vão aceitar”, declarou.

Com informações: Portal G1

Foto: Gilcilene Araújo/G1)

Edição: Assunc@Livre

Publicação: 05/03/2017 7h48m

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